
Contemplava sozinha a extensão melancólica do mar…
03/07/2009
Há anos, adormecia e levantava-se antes da alva, sempre rindo e cantando; nunca uma tristeza real lhe havia nublado a transparência azul de sua alegria, parado em meio uma das suas sadias gargalhadas. Amor, que não o da Madona ou da família, jamais lhe entrara no coração; e contudo, nos últimos meses dos seus anos, caía, às vezes, num cismar de tristeza indefinível, quando, de sobre a penedia, contemplava sozinha a extensão melancólica do mar; sentia em tais momentos como vagas inquietações, que se lhe debatiam por dentro e procurava, tolinha! com insistência pueril, arrancar do oceano o segredo de tudo aquilo; parecia-lhe que o ar misterioso das águas vedava ao seu entendimento o verdadeiro motivo dos seus anelos.
Aluísio Azevedo na obra “Uma lágrima de mulher”
Adoro Aluízio Azevedo. Acho-o sensacional. O engraçado é que este livro: [b]Uma lágrima de mulher[/b], não é um dos seus mais conhecidos. Mesmo assim foi um dos romances dele a que me dediquei quando ainda no Pedro II. É bom ver que há outras pessoas que lêem ou já leram o que a gente lê, não é? Um beijinho, Ladyce